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sexta-feira, setembro 09, 2005

Yes Minister

É anunciado com pompa e circunstância, e direito a replay, o inglês no 1º ciclo do ensino. Quem conhece os resultados dos últimos 30 anos do ensino de inglês nas nossas escolas, sabe infelizmente o que esperar disto tudo. Ou no mínimo desconfia. Nem vale a pena discutir a importância do ensino de inglês, tal é a unanimidade que colhe; e muito menos a necessidade de as crianças entrarem em contacto com esta língua franca desde cedo. A questão é que o ensino de inglês nas escolas públicas (e em grande parte das privadas) nunca conseguiu pôr ninguém a falar fluentemente o inglês (e já nem digo escrever). É um fracasso rotundo de décadas! Quem teve de frequentar os institutos de línguas (ingleses e americanos), ou aí matricular os seus filhos, conhece bem a diferença abissal nos métodos de ensino aí utilizados, e mais importante ainda, os seus resultados. A questão é pois a de se saber como é que tão mau património nos outros graus de ensino, pode agora de repente, com uma varinha de condão, ser recuperado e colocar as nossas crianças à saída do 1º ciclo a entender o inglês. Temo que esta venha a ser mais uma experiência consumidora de recursos do país e dos pais, e ainda do tempo das crianças. As minhas filhas frequentam uma escola privada, daquelas de reputação indiscutível. Uma delas frequentará agora o 4º ano, tendo tido inglês desde o 1º (e anteriormente na creche!). Posso dizer que a única coisa que até agora ganhou com a experiência foi uma enorme frustração e certa dose de resistência à língua. Soube entretanto que os outros papás, face aos resultados experimentados, estão a inscrever os seus filhos no Kids Club ou no Cambridge School, no ano que antecede a entrada no 2º ciclo. Há sempre maneiras de cumprir os elevados desígnios nacionais. Pelo menos para quem pode!

1 Comments:

Blogger Marco Neves said...

Por mim, até aprendi inglês no ensino regular, mas admito que seja excepção. Quanto ao fracasso, lembremo-nos que as gerações mais velhas são aquelas que menos sabem inglês em Portugal. O sistema de ensino tem imensos problemas, mas rotulá-lo sem mais aquelas de fracasso rotundo é um pouco simplista. Há muitos alunos que com esforço próprio e algum dos seus professores aprendem inglês na escola (mesmo sem os recursos adequados, mesmo sem o apoio dos pais, etc.).
Apesar de tudo, hoje quase 40% da população sabe alguma coisa de inglês (nem todos o falam como nativos, mas também não é isso que se pede). Muito poucos desses 40% puderam aprender a língua em escolas privadas. E lembremo-nos que há 30 anos, certamente os números seriam muito inferiores (aliás, se só contarmos as gerações mais novas, a percentagem será superior).

2:04 da manhã, outubro 15, 2005  

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