O Fundo da Baía

Estas são 6 gigantescas crónicas, publicadas nas décadas de 40 e 50 do século passado, nessa mesma revista.
Lêem-se num fósforo, mas fica-se com pena que assim seja. Mas para tal há até remédio: volta-se ao início e rele-se, pois estes são textos que aguentam muito bem isso, tal é a riqueza de pormenores, a palete das suas perspectivas, e a capacidade de ser simultaneamente transparente e complexo.
Mas o mais destas crónicas, é sobretudo o seu poder de entranhamento, e de nos transportar e fazer estar nos lugares e tempos onde decorrem. Há aqui sem dúvida, nesta literatura que é jornalismo (ou jornalismo literatura), uma estranha capacidade de evocar, de nos arrancar de onde estamos, tal é a simplicidade e ao mesmo tempo a enorme mestria, com que estão escritas estas histórias. Sinceramente, não consigo descobrir onde é que está o segredo, tal é o invisível labor que Joseph Mitchell terá posto em esconder as costuras nas suas belíssimas crónicas.
Deste autor tinha lido antes O Segredo de Joe Gould, com a chancela da Dom Quixote.
E por isso fica já na calha Sou Todo Ouvidos, colectânea de artigos de jornais, e que já foi publicado o ano passado também na Âmbar.
Mas este Fundo da Baía vai já direitinho para o topo dos meus livros de 2007.
Etiquetas: Livros
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