A manada

Em Março, já aqui tinha chamado a atenção, para o facto de o PRACE vir a servir para intuitos clientelares. Nessa altura disse: "É que, dá-se o caso de este governo, a bem dizer ainda não ter sequer começado a atacar a sério na administração pública. Ainda o PRACE vai no adro, e a coboyada seguirá atrás!"
Pois bem, está a acontecer, e é agora! Desde há semanas a esta parte, que todos os dias sem excepção, pela surdina e na calada dos dias, à sombra mediática dos grandes assuntos do momento, estão a ser nomeados centenas de dirigentes da administração pública.
E esta enchente não se limita apenas aos directores gerais e equiparados. Por virtude da lei em vigor, já não há concursos nem para os cargos intermédios de direcção e de chefia. Agora tudo é por nomeação. É certamente assim que funciona a cultura de mérito que enche tanto a boca e o peito ao Primeiro Ministro, ao Ministro das Finanças e ao Secretário de Estado da Administração Pública.
É uma vaga de fundo, como nunca vista em Portugal. Para se assistir a semelhante coisa, não bastaria retrocedermos aos governos de Durão Barroso ou António Guterres. Teríamos de nos deslocar geograficamente para África, e assistir nas planícies do Serengeti à migração, nos meses de seca, das gigantescas manadas de búfalos, gnus e zebras, que sedentos de sede galopam rumo aos pastos e às reservas de água do Quénia, a mais de mil quilómetros de distância.
Etiquetas: Administração Pública, Cunhas e Amiguismo e Tráfico
1 Comments:
Claro que todos eles são "excelentes" e profundos conhecedores das matérias em que vão trabalhar, como alguns dirigentes que nomearam para os hospitais S.A., depois E.P.E., que não fazem a mínima ideia do que seja um hospital.
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