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segunda-feira, outubro 08, 2007

A vida tem destas

Pacheco Pereira (PP) é quanto a mim, o melhor analista político destas coisas do nosso rectângulo. É de longe o melhor politólogo, sem sequer se reclamar de tal. As suas análises são quase sempre muito argutas, sintéticas, pertinentes, sociológicas e debruçam-se muito sobre os universos micro do sistema político.
No entanto, os mais atentos às excelentes análises de PP sabem que, sempre que este olha sobre "futebol", "Paulo Portas" ou "Santana Lopes", a sua visão tolda-se, a perspicácia habitual treme um pouco e o raciocínio esfuma-se e perde a necessária “credibilidade”.
Aliás, ainda há bem pouco tempo Pacheco Pereira, a propósito do recente episódio de Santana Lopes na SIC Notícias, dizia no seu blogue: «Por uma vez concordo com Pedro Santana Lopes: interromper uma entrevista política com um não-evento, sem notícia, nem conteúdo, merece esta resposta». O caso de tão inusitado – um elogio de Pacheco Pereira a Santana Lopes - foi até referenciado em vários órgãos de comunicação social.
No entanto, quanto a mim o inusitado não é tanto o elogio à atitude tomada por Santana Lopes, mas sim o facto de até hoje, PP ter resumido a análise desse acontecimento a essas pindéricas 2 linhas. Assunto esse que até é, atenção, aquele que é dos mais caros a Pacheco Pereira – o papel da comunicação social na nossa democracia e nas democracias modernas – e o episódio da interrupção brusca de uma entrevista por parte do entrevistado, ser ainda coisa absolutamente ímpar nas nossas televisões, e que é paradigma de tudo o que Pacheco Pereira vem analisando. A questão pois não é a de Pacheco Pereira ter apoiado Santana Lopes e tê-lo escrito no seu blogue! A questão é antes a de ter resumido e "silenciado" o assunto a apenas 2 linhas! Sobre um assunto sobre o qual PP tem escrito milhares e milhares de linhas, dezenas de posts no seu Abrupto, e que vem ilustrar de um modo cirúrgico tudo o que vem dizendo e defendendo.
Aliás, nesta matéria, PP fez exactamente o mesmo que as televisões, que remeteram no dia seguinte o assunto lá bem marginalmente para o fim dos respectivos telejornais. Compreende-se o incómodo que tal episódio causou mesmo nos canais concorrentes da SIC, pois todos no fundo sentiram a atitude de Santana Lopes como se tivesse acontecido nos seus próprios estúdios. E também se compreende Pacheco Pereira. O homem é de carne e osso e tinha isto de suceder logo com o seu “inimigo” de estimação. A vida tem destas.
E vem isto agora a propósito da vitória de Luís Filipe Menezes. Pacheco Pereira, e bem, desta vez fez a sua declaração de interesses: «Em matéria do PSD este é o blogue do mau perder. Direi mais ainda, do péssimo perder. E continuará assim até a bandeira ficar direita, se é que alguma vez fica direita». Melhor ainda, virou a bandeira do PSD de pernas para o ar sempre que fala de Luís Filipe Menezes. Honestidade intelectual teve-a pois, e isso faz muita falta. É aliás coisa raríssima entre a classe dos opinadores. E até me disponho a concordar com tudo o que Pacheco Pereira diz de Luís Filipe Menezes.
Mas, esperem, onde é que já vi isto?? É que lendo as lúcidas análises de PP, e tomando-as como garantidas, sobretudo quando este se debruça sobre o aparelho partidário e os pequenos grandes poderes que medram nos bastidores das máquinas partidárias, fica-se sem saber então porque raio é que PP apoiou Marques Mendes. É que se é certo tudo aquilo que diz sobre o novo presidente do PSD, só uma grande e estranha forma de cirúrgica cegueira não lhe permite ver que o mesmo cabe igualmente como uma luva a Marques Mendes. O que tem sido Marques Mendes estes anos todos? Onde tem andado? Aliás, todos os tristes episódios da campanha para a eleição no PSD, são disso demonstrativos. A não ser que se queira à força pensar que apenas Filipe Menezes disse e fez das suas. Diferenças de estilo apenas, ou de companhias (que aliás, vão e vêm como as marés) não podem justificar o apoio que se dá a um (mesmo que criticando-o como de facto muitas vezes sucedeu) e o "ódio" que se destina a outro.
Mas desta Pacheco Pereira bem avisou: «...é o blogue do mau perder. Direi mais ainda, do péssimo perder».

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