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terça-feira, janeiro 08, 2008

Relance 2007-2008

Foi-se 2007 e chegou-se a nós 2008. E espero que com este ano eu retorne mais assiduamente ao insustentável. Sim eu sei, o final de 2007 já passou e com isso o tempo dos balanços. E 2008 já tem quase 10 dias. Mas o que querem..?? A verdade é que eu ainda ando meio perdido por 2007. E começo a perceber só agora que estou em 2008.
Por isso, aqui deito a mão ao Objectos, e com isso vos faço a todos, leitores do insustentável, este votos sinceros para 2008. E aproveito ainda para atirar umas larachas soltas para o ar.

O panorama é o mesmo, de uma ponta a outra do espectro político. Tudo muito cinzentinho, como o país que é o nosso e o inverno que está aí.
O PSD deambula sem objectivo, retrocede, avança e contorce-se, de tão desorientado que está. Não se percebe o que afinal quer para Portugal. Mas percebe-se o que quer afinal do país. Quer o Poder, mas a preguiça e a incompetência é tanta, que às tantas páginas nem está para alinhavar meia dúzia de ideias com consistência e lógica. Mas compreende-se: é que o PS governa como o PSD no fundo gostaria de ter governado (e de vir a governar). E também se percebe porque o faz assim, de um modo tão laxista e pouco aplicado: é que nas 2 últimas eleições legislativas, a oposição (PSD/Barroso numa ocasião e PS/Sócrates em outra) a bem dizer nada fizeram para merecer a vitória que vieram posteriormente a conquistar nas eleições. Foram os governos de então (PS/Guterres e PSD/Barroso/ Santana) que simplesmente ofereceram as eleições de bandeja. Por isso o PSD de Marques Mendes e agora este “novo” PSD, simplesmente aguarda languidamente que o governo caia por si e de podre.
O PS por sua vez governa com tal força de campanha e marketing (embora alguma comunicação social comece aqui e ali a querer desalinhar-se), que por vezes até parece que governa de facto. A bem dizer, o verbo até que se lhe aplica mas de um outro modo: o governo governa-se. Faz isso, e bem, e ponto final. De resto o que melhor faz é desqualificar o pequeno e o médio país, do Minho ao Algarve. Não ficará pedra sobre pedra.
Para além das poucas indústrias que vão encerrando de norte a sul (aí a responsabilidade é bem mais estrutural e muito pouco governativa, embora não tenha sido eu que tenha prometido 300.000 empregos!), do desemprego galopante, o governo vai simplesmente retirando os serviços mais básicos e mais estruturantes das comunidades (maternidades, urgências, hospitais, etc.) Só quem não vive nem dorme sequer 2 dias numa cidade média deste país, ou não teve ainda o azar de ficar doente na hora e local errados, é que pode justificar esta política da saúde. É de facto a grande revolução pós-25 de Abril. Mas é a má revolução. Quando daqui a uns anitos for possível fazer-se o balanço desapaixonado da acção deste governo, no que à (des)qualificação do território diz respeito, à (des)qualificação da vida dos mais desfavorecidos, e à qualificação dos mais favorecidos e donos do regime, então se apreciará o descalabro que foram estes anos, e provavelmente os que se seguirão, sejam eles do PS ou do PSD.

Escolha o Diabo que fica sempre bem. E bom ano de 2008.

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sexta-feira, novembro 16, 2007

Pactos??

Luís Filipe Menezes ameaça denunciar o pacto da área da justiça que o PSD subscreveu anteriormente em conjunto com o governo PS, por considerar que o governo aprovou legislação ao arrepio desse mesmo pacto. Nada mais natural, pois.
O que se estranha é que Luís Filipe Menezes, tendo afinal tantas razões de queixa relativas à capacidade de cumprimento do governo PS, mesmo assim queira firmar outros pactos em outras áreas da governação.
Afinal em que ficamos?
Por sua vez, José Sócrates diz a este propósito que, «é nocivo para o país (o PSD) por em causa a palavra que o partido deu”.
Já sabíamos que de engenharia e inglês técnico o nosso primeiro-ministro percebia pouco. O que estávamos à espera é que entendesse melhor a natureza de um acordo ou de um pacto e não entendesse isso como um tipo de contrato de concessão perpétuo, ou válido para 75 anos, como a concessão do asfalto.
E andamos nós entregues a estes jogos, e convencidos que esta malta assina pactos no interesse do país.

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terça-feira, novembro 13, 2007

Uma questão de saldo

No mês passado, dia 17 de Outubro, ficamos a saber que o ministério da justiça «colocou 327 funcionários das carreiras administrativa, auxiliar e operária no regime de mobilidade especial do pessoal da Administração Pública» (e este, tudo leva a crer, é apenas uma parte do que virá a suceder).
Hoje, dia 13 de Novembro, soubemos que o mesmíssimo ministério da justiça adquiriu 5 viaturas topo de gama no valor de 176 mil euros.
Não se diga pois que o Estado não faz contas ao que entra e ao que sai.

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quinta-feira, outubro 25, 2007

Tudo bons rapazes

Pessoalmente até fico bastante satisfeito com tudo aquilo que tem vindo a suceder no BCP. Melhor dizendo, do que fico satisfeito, é que toda essa sujidade debaixo do tapete, de lá tenha saltado para conhecimento de todos.
Há muito tempo que penso que não há diferenças significativas, no que à gestão diz respeito, entre o sector público e o sector privado. Essas diferenças são artificialmente criadas, ao compararem-se os melhores exemplos do sector privado com as piores práticas do sector público.
Eis pois: o maior banco privado do país, o banco da excelência, os campeões da internacionalização, dos gestores e executivos TOP 10, formados nas melhores universidades do país (católica…), com MBA’s nos melhores institutos da Suiça, Inglaterra e Estados Unidos, propagandistas da boa nova da gestão do sector privado (por oposição à gestão pública) enquanto conferencistas e formadores em seminários e cursos pagos a peso de oiro, pois bem, estes goodfellas andam há longos anos a pura e simplesmente roubar os seus próprios accionistas.
Uns fazem-no, e outros calando-se, consentem-no.
E quem rouba um accionista, rouba já agora 2 ou 3.
E roubar o accionista ou o cidadão, fará de facto alguma diferença? O que não se diria se um exemplo destes surgisse de um qualquer serviço público!
Para quem pensava que o amiguismo era coutada apenas da administração pública, tomem lá e reconvertam-se à dura realidade. Evidentíssimo se torna pois, que a merda é afinal a mesma, o que vem é embrulhada em papel mais fino.
Aquele director geral que por onde passou fez das suas e deixou um rasto de incompetência, e a cada uma é sempre chutado para cima, para tachos cada vez mais altos?
Aquele outro que, mesmo com alguns processos na justiça, continua sereno a ser nomeado para funções de grande responsabilidade?
Pois bem, cá temos um belo exemplo, do sector privado e da área considerada desde sempre por todos os analistas como a área de excelência do nosso sector privado ( a par da de telecomunicações), que paga (devolve) ao banco os 12 milhões enfiados no bolso do filho, e pronto, não se fala mais nisso, que eu até estava distraído e nem sabia de nada (deve ser por isso que agora até lidera o Conselho Geral e de Supervisão, do próprio banco).
Ética? Moral? Bem, bem..., juro que não é aqui e agora que me vou pôr a falar da militância católica e da opus dei. Fica para depois (espero que nunca).
Se tivesse conta aberta no BCP fechava-a? Claro! É o mínimo que se pode fazer (e a bem dizer, e infelizmente, também o máximo).
Mas quem diz que isto não se passa também em outros bancos? Por exemplo numa CGD, que tem todos os ingredientes e mais alguns para que isso suceda, tal é o corre-corre de políticos desocupados, nos seus corredores e gabinetes, em que o creme de la creme dos administradores são volta e meia («zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades») apanhados a abocanhar ainda mais churudos ordenados e acumulados vencimentos e outras alcavalas, a receberem o pagamento envergonhado por actividades de consultoria, a usufruírem de reformas mais rápidas que o Ferrari de Kimi Raikkonen.
Bem, depois disto já só acredita no sistema bancário quem for de facto de uma inabalável fé.
Mais depressa me converto eu à cruzada do Bin Laden e acredito piamente nas tais 500 virgens à minha espera lá no céu (cruzes, que trabalhão)!

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quarta-feira, outubro 24, 2007

A propósito da greve e do tempo de reforma dos pilotos:

Qual é a profissão de mais rápido desgaste?
Piloto de aviões ou administrador do Banco de Portugal * ?

* Para seu deleite pode substituir esta ocupação por outra: deputado da AR, etc, etc.

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segunda-feira, outubro 08, 2007

A vida tem destas

Pacheco Pereira (PP) é quanto a mim, o melhor analista político destas coisas do nosso rectângulo. É de longe o melhor politólogo, sem sequer se reclamar de tal. As suas análises são quase sempre muito argutas, sintéticas, pertinentes, sociológicas e debruçam-se muito sobre os universos micro do sistema político.
No entanto, os mais atentos às excelentes análises de PP sabem que, sempre que este olha sobre "futebol", "Paulo Portas" ou "Santana Lopes", a sua visão tolda-se, a perspicácia habitual treme um pouco e o raciocínio esfuma-se e perde a necessária “credibilidade”.
Aliás, ainda há bem pouco tempo Pacheco Pereira, a propósito do recente episódio de Santana Lopes na SIC Notícias, dizia no seu blogue: «Por uma vez concordo com Pedro Santana Lopes: interromper uma entrevista política com um não-evento, sem notícia, nem conteúdo, merece esta resposta». O caso de tão inusitado – um elogio de Pacheco Pereira a Santana Lopes - foi até referenciado em vários órgãos de comunicação social.
No entanto, quanto a mim o inusitado não é tanto o elogio à atitude tomada por Santana Lopes, mas sim o facto de até hoje, PP ter resumido a análise desse acontecimento a essas pindéricas 2 linhas. Assunto esse que até é, atenção, aquele que é dos mais caros a Pacheco Pereira – o papel da comunicação social na nossa democracia e nas democracias modernas – e o episódio da interrupção brusca de uma entrevista por parte do entrevistado, ser ainda coisa absolutamente ímpar nas nossas televisões, e que é paradigma de tudo o que Pacheco Pereira vem analisando. A questão pois não é a de Pacheco Pereira ter apoiado Santana Lopes e tê-lo escrito no seu blogue! A questão é antes a de ter resumido e "silenciado" o assunto a apenas 2 linhas! Sobre um assunto sobre o qual PP tem escrito milhares e milhares de linhas, dezenas de posts no seu Abrupto, e que vem ilustrar de um modo cirúrgico tudo o que vem dizendo e defendendo.
Aliás, nesta matéria, PP fez exactamente o mesmo que as televisões, que remeteram no dia seguinte o assunto lá bem marginalmente para o fim dos respectivos telejornais. Compreende-se o incómodo que tal episódio causou mesmo nos canais concorrentes da SIC, pois todos no fundo sentiram a atitude de Santana Lopes como se tivesse acontecido nos seus próprios estúdios. E também se compreende Pacheco Pereira. O homem é de carne e osso e tinha isto de suceder logo com o seu “inimigo” de estimação. A vida tem destas.
E vem isto agora a propósito da vitória de Luís Filipe Menezes. Pacheco Pereira, e bem, desta vez fez a sua declaração de interesses: «Em matéria do PSD este é o blogue do mau perder. Direi mais ainda, do péssimo perder. E continuará assim até a bandeira ficar direita, se é que alguma vez fica direita». Melhor ainda, virou a bandeira do PSD de pernas para o ar sempre que fala de Luís Filipe Menezes. Honestidade intelectual teve-a pois, e isso faz muita falta. É aliás coisa raríssima entre a classe dos opinadores. E até me disponho a concordar com tudo o que Pacheco Pereira diz de Luís Filipe Menezes.
Mas, esperem, onde é que já vi isto?? É que lendo as lúcidas análises de PP, e tomando-as como garantidas, sobretudo quando este se debruça sobre o aparelho partidário e os pequenos grandes poderes que medram nos bastidores das máquinas partidárias, fica-se sem saber então porque raio é que PP apoiou Marques Mendes. É que se é certo tudo aquilo que diz sobre o novo presidente do PSD, só uma grande e estranha forma de cirúrgica cegueira não lhe permite ver que o mesmo cabe igualmente como uma luva a Marques Mendes. O que tem sido Marques Mendes estes anos todos? Onde tem andado? Aliás, todos os tristes episódios da campanha para a eleição no PSD, são disso demonstrativos. A não ser que se queira à força pensar que apenas Filipe Menezes disse e fez das suas. Diferenças de estilo apenas, ou de companhias (que aliás, vão e vêm como as marés) não podem justificar o apoio que se dá a um (mesmo que criticando-o como de facto muitas vezes sucedeu) e o "ódio" que se destina a outro.
Mas desta Pacheco Pereira bem avisou: «...é o blogue do mau perder. Direi mais ainda, do péssimo perder».

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quinta-feira, setembro 27, 2007

Santana is back!

É sem dúvida a entrevista do ano!

Entretanto, Ricardo Costa continua infelizmente a demonstrar o autismo e umbiguismo típicos dos agentes comunicacionais, sempre que a sua prática é posta em causa. Já não é a primeira vez que Ricardo Costa não percebe de imediato que valores é que estão em causa.

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Sem tréguas

Estes rapazes até são giros, tal é a competitividade que demonstram dentro das 4 linhas. Ela é tanta, que ficamos sem saber exactamente onde é que passam as ditas linhas. O jogo em que participam está visto que vai a penaltis, mas ao contrário dos jogos de ontem para a Taça da Liga, não há-de terminar com a vitória de um dos contentores – perdão, queria dizer, contendores. Tá visto que vão perder os dois, e que em vez de moeda ao ar, a coisa acaba é toda à estalada. Entretanto o moço com nome de filósofo e autoridade de polícia de giro, e que agora deu em nos governar, e pior ainda em se convencer que até o faz bem, esse sim, esse é que vai sair a ganhar deste desafio. É assim como uma espécie de F.C.Porto: mesmo quando não joga um chavo, ganha sempre com a desgraça dos outros.
No meio disto tudo, resta-nos apenas esperar que o milagre de Fátima não se tenha esgotado ontem lá para os lados do clube da terra.

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segunda-feira, setembro 24, 2007

Olho por olho

Ao SNS (Serviço Nacional de Saúde) já se sabe o que lhe vem acontecendo. Todos os dias, um governo da esquerda modernaça, lhe vem calmamente mas com denodo e persistência, pondo-lhe por cima uma pedra aqui e uma pedrinha acolá. Já falta pouco para a última pazada, e depois é apenas assentar-lhe a lápide como enfeite: «Aqui jaz o SNS: paz eterna à sua alma».
Ao invés, parece que vai nascendo todos os dias mais um pouco, um novo tipo de serviço, produto – dirão uns – da globalização: o SIS. Não haja confusões, SIS sim mas de Serviço Internacional de Saúde. A C.M. de Vila Real de Santo António já manda os seus munícipes a Cuba tratar das cataratas e de outras enfermidades do olho. Está bem visto sim senhor, e assim as listas de espera sempre vão tendo resolução à vista. E até já faltou mais para irmos todos à Índia ou ao Bumrungrad Hospital, na Tailândia, tratar daquela hérnia mais familiar que os nossos próprios filhos. O recobro far-se-á provavelmente na praia de Patong, na ilha de Phuket. Quando esses dias chegarem, talvez José Sócrates torça um pezinho nos seus jogging’s da treta, e tenha de apanhar um avião para o Alasca para lhe assentarem o gesso nos cascos. Faço figas!

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segunda-feira, setembro 10, 2007

Haja recato!

Cada vez vou tendo mais dificuldade em postar assuntos de política.
Luís Filipe Menezes, andou à boleia de um avião particular de um empresário com negócios no concelho onde é presidente da câmara. E quando questionado sobre quem era o empresário em causa, em nome aliás da transparência que ele próprio vem apregoando na refrega eleitoral que mantém com Marques Mendes, o bom do Menezes diz que não tem nada que dizer o nome do dito cujo, “por uma questão de recato”. Para candidato a futuro primeiro-ministro, não está mal não senhor! É exactamente por causa das “transparências” desta malta, que eu, sempre que há eleições e me dirijo a uma assembleia de voto, me dá também para um cada vez maior recato.

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quarta-feira, agosto 08, 2007

E Ainda Mais Retratos da Administração Pública

terça-feira, agosto 07, 2007

Assim não, Dalila!!

Quando em Março a directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) denunciou o encerramento de algumas salas do seu museu (e de outros museus) por falta de vigilantes, situação essa que levou ao ridículo de o principal museu do país ter de cobrar apenas parte do bilhete aos seus visitantes, porque tinha muitas das suas salas fechadas, o destino de Dalila Rodrigues ficou ali definitivamente traçado. É que saltou nessa altura à vista de todos, a enorme distância entre a propaganda alardeada por este ministério (e por outros), e a realidade escondida de miséria, mesquinhez, e gestão de mercearia.
O Ministério da Cultura foi então obrigado, para vergonha do país, a encontrar soluções apressadas para essa situação caricata passada no seu GRANDE Museu Nacional, mas Dalila, essa, ficou-lhe atravessada: «Cá se fazem, cá se pagam».
Depois, a senhora deu-se ainda ao desplante de nos jornais e na televisão lançar sistematicamente o debate sobre o modelo de gestão dos museus. Ora, isso para a nomenclatura estalinista que se apoderou do Ministério da Cultura (e não só) é imperdoável.
Mas o pior ainda - e esta foi a grande afronta ao Ministério da Cultura - foi a directora do MNAA ter-se atrevido, sublinho, atrevido, a durante a sua permanência à frente dos destinos daquele museu, iniciada em Setembro de 2004, ter duplicado o número de visitantes, passando de 71.973 para 192.452, e ter feito com que as receitas, passassem de 250 mil euros (2003), para um milhão e 109 mil euros (2006). De caminho ainda deitou a mão aos tectos que estavam literalmente a cair, a carpetes rotas, a pinturas de parede cheias de caruncho, a portas empenadas, e a tudo isso conferiu-lhes a dignidade que o lugar clamava.
Não, isso já era demais! Assim não, Dalila!!

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quinta-feira, agosto 02, 2007

A imagem do rigor

Por ora Costa estará na situação privilegiada de as expectativas para estes 2 anos serem extraordinariamente baixas por parte dos lisboetas. Depois da rebaldaria de albergue à espanhola que foi a passagem do PSD de Carmona pela CML, a maralha apenas espera (a que votou, porque a outra já só desespera) que Costa aperte o cinto aos gastos da CML, que negoceie alguma da dívida aos principais fornecedores, e inaugure alguns projectos de nulo impacto financeiro, pelo menos nestes 2 primeiros anos. Está por isso mais que garantida uma imagem de rigor e seriedade. E isto é o que é mais fácil fazer, e é aquilo que os portugueses mais gostam de ver: que venha alguém – e se Costa fizer cara-de pau e um ar poupadinho em sorrisos, tanto melhor – “cortar a direito” e endireitar as finanças públicas. A popularidade que os ex-ministros das finanças sistematicamente têm neste país, quando desempenham as suas funções em contextos orçamentais restritivos, é sintoma disto mesmo. Não sei se é coisa para sentar a nação toda no divã, e por isso nem vou sequer lembrar um tal Oliveira, que em 1926, trouxe finalmente a Ordem por que tantos então ansiavam. Basta antes lembrar a auréola ganha por Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, mais recentemente. O pior é quando, endireitadas (conjunturalmente) as finanças, é preciso passar a construir alguma coisa de concreto e mostrar serviço, isto é, finalmente governar. Aí é que se vê de que é feito um político, e é aí que se dão as inevitáveis grandes desilusões. Cá estaremos para ver. Isto se, nestes próximos 6 anos, António Costa ainda lá estiver para ser visto.

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O Zé faz falta!

Profissionalão como é, António Costa já tirou do caminho Zé, o Fiscal de serviço. António Costa sabe que, pior que tudo era o Zé desatar novamente a fazer chantagem política e a lançar suspeições para o ar, tivesse ou não razão, sobre esta ou aquela obra, sobre este ou aquele projecto. Ainda há pouco tempo, em plena campanha eleitoral, nas instalações da Docapesca, o Zé dizia que Costa tinha um "plano secreto" para a frente ribeirinha, e "planos de betonizar isto tudo".
Por isso o Zé faz muita falta a António Costa. É que 2 anos apenas, não dariam tempo para se provar se o Zé, em qualquer suspeição ou denúncia que fizesse sobre António Costa, afinal tinha razão ou não, e a mancha ficaria lá, a impedir a maioria absoluta nas próximas eleições autárquicas. António Costa rodeou-se previamente de um ícone financeiro chamado Saldanha Sanches, uma múmia senatorial oportunisticamente rendida ao novo poder absoluto - Miguel Júdice - e ainda de um arquitecto - Manuel Salgado - que sendo incontornável do ponto de vista profissional, é-o também do ponto de vista político, já que, sofregamente, tudo veio fazendo nos últimos anos para atingir os destinos urbanísticos de Lisboa, onde finalmente chegou.
Mas o problema poderia vir do Zé. É que o Zé tem sistematicamente mais acesso à comunicação social e mais tempo de antena, do que a importância democrática que os eleitores lhe conferem nas eleições. E do que António Costa não precisa para estes 2 anos, é de um fiscal camarário às costas, que levante problemas por isto ou por aquilo, trancando obras e projectos com providências cautelares. Por isso, este acordo de António Costa com o BE, sendo simplesmente inútil do ponto de vista da gestão e liderança da CML – António Costa continua mesmo assim apenas com uma maioria relativa – é de facto de uma grande utilidade política. Literalmente, António Costa deu um chupa-chupa ao Zé e meteu-o no bolso: "vá, agora está quietinho e vê como se faz". No entanto, a coisa não será para durar, pois do que o Zé gosta mesmo é de ser o Robin dos Bosques Citadinos e Áreas Verdes Adjacentes, e os apetites imobiliários para a frente ribeirinha (esperem para ver) mais tarde ou mais cedo colocarão um espelho à frente do pobre Zé. Para além disso, terá pesadelos que Roseta ocupe o seu panteão de grande denunciador. Mas a verdade, é que António Costa só precisa mesmo do Zé é agora, para estes 2 cruciais anos. E esse, já lá canta.

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segunda-feira, julho 30, 2007

2 faces, a mesma moeda

Não são precisos a Sócrates grandes comedimentos. Basta que governe mal como o tem feito – e bem! – até aqui. Com um PSD destes, a dar a pior imagem de um partido de clientelas e tachistas, que se chegam à frente sempre que calha, e oportunistas que se encolhem quando não lhes cheira a poder, e cheio até acima de partidocratas e gente medíocre, o PS, se fossem as eleições coisa já para agora, teria a maioria absoluta mais que garantida. Com 60 ou 70% de abstenções, mas ainda assim ganhava e com duas de avanço!
Mas por mim, uma mão não lava a outra. Até porque já todos vimos a coisa invertida como está agora – nos tempos da maioria absoluta de Cavaco Silva e em que o PS vogava neste pantanal em que está agora o PSD – e já estou cansado de saber que, se é verdade que toda a moeda tem 2 faces, também é verdade que o seu valor é imutável.

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quarta-feira, julho 25, 2007

Uma política de castings

É a Política reduzida ao espectáculo e as políticas a um subproduto deste.
Já não nos chegava o espectáculo inqualificável e deprimente que o PSD vem dando desde que é oposição, e que definitivamente nos esclarece a todos sobre ao que andam afinal a grande maioria dos políticos dos chamados partidos do Poder (depois dizem que falar mal dos políticos é populismo).
Agora temos também uns tiques de poder popular à PCP, vindos da parte do PS, ao arregimentar autocarros vindos da parvónia, carregados de 3ª e 4ª idade, para fazerem a festa da ilusão ao recém-eleito António Costa. Até parecia que iam para a Festa do Avante! Compreende-se o problema, pois não havia Lisboeta entusiasmado, nem com o vencedor, e muito menos com os inúmeros perdedores. E não, não foi pacovice de um autarca apenas, ou de um qualquer PS local. Os autocarros vinham de vários pontos das nossas províncias continentais, sinal de que houve ordens executadas e uma ordem organizada. Contadas foram: Alandroal, Cabeceiras de Basto, Covilhã, Famalicão, Mangualde e Reguengos de Monsaraz. O sinal de degradação a que chegou a política e que é dado por este evento organizado pelo PS, resulta do facto de, pelo menos quando a coisa é organizada pelo PCP, os velhotes saberem ao que vêem, e até já trazerem as bandeiras de casa. Estes não. A estes ofereceram-lhes uma vinda à capital do reino, umas passeatas aqui e acolá (terão ido ao Túnel do Marquês?), sardinha assada e feveras à conta, e já agora, no caminho de volta à terrinha, "vamos ali num instante com estas bandeirinhas, que não custa nada, e o Hotel Altis até é tão importante como o Mosteiro dos Jerónimos". Pensando melhor, o modo como este PS de Sócrates faz política, é muito mais tirado daquelas manifestações de apoio a Salazar, organizadas então pela União Nacional. É degradante. E como que para nos avisar que a coisa não é um acaso ou mero subproduto da silly season, meia dúzia de dias passados foi a vez de, na apresentação do Plano Tecnológico da Educação, se ter montado um espectáculo com crianças a fazerem de afadigados alunos, e que foram contratadas a € 30 cada, por uma empresa de casting! Por uma empresa de casting!!! O simbolismo deste episódio é de tal ordem, que nos inutiliza qualquer comentário mais que possamos fazer a propósito da política de plástico, feita de pseudo-reformas, e pseudo-resultados, protagonizada por tão incrível governo! Vale bem mais que 1000 imagens.
Pior foi ainda a reacção de José Sócrates quando confrontado com a situação, ao justificar-se que a responsabilidade não era do Governo, e dizendo que “isto é apenas uma sessão de apresentação, feita por uma empresa que produz e coloca no mercado os quadros interactivos e que os expõe”. Pois claro. Estava ali aquela empresa, com aqueles flat screens todos janotas e umas crianças limpinhas e aplicadas, umas professoras boas comó milho, e o primeiro-ministro que por mero acaso ia a passar por ali...zás, a oportunidade faz o homem e vai daí aproveitou para falar do Plano Tecnológico. Mais valia que estivesse calado.
É definitivamente a consagração da comédia clássica grega. Quem precisa hoje de voltar a ler Aristófanes?

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sexta-feira, julho 20, 2007

Pequenos partidos

Em complemento a este post de 4ª feira passada, e a pedido de algumas famílias, aqui vão os resultados reais das eleições de domingo passado, para o município alfacinha. Estas percentagens representam, de facto, a expressão da votação que cada um dos candidatos teve, face ao universo total dos lisboetas recenseados, que estavam em condições de votar, e que pelas mais variadas razões decidiram, em consciência, não o fazer. Quaisquer outras percentagens que, unanimemente, são utilizadas por partidos, orgãos de soberania, poder judicial, especialistas de ciência política, comentadores, e povo inclusivé, são apenas um embuste, que não ajuda em nada a nossa ténue e periclitante democracia, e apenas reproduz os mecanismos de perpetuação do poder "democrático" de uns quantos (demasiados, infelizmente) que são realmente os donos de um regime, já tão conspurcado como o da ditadura.
Eis pois a votação conseguida por todos os pequenos candidatos e respectivos partidos:
António Costa - 10,8%
Carmona Rodrigues - 6,1%
Fernando Negrão - 5,8%
Helena Roseta - 3,7%
Ruben de Carvalho - 3,5%
O Zé - 2,5%
Telmo Correia - 1,4%

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quarta-feira, julho 18, 2007

Contas de sumir

Há muitos anos – desde sempre – que não consigo alinhar totalmente com as inúmeras análises produzidas sobre os resultados eleitorais.
Isto porque, para mim, o critério mais válido de qualquer análise que se preze, é simplesmente o dos números absolutos dos votantes. Para além disso, é o critério de análise mais democrático e autêntico. É que, quando cada um de nós vai votar – os que ainda vão (eu vou) – está lá a pôr um voto. 1! Naquela altura, quem é que sabe em que percentagem se vai encaixar essa unidade?
Penso mesmo que com base nos números absolutos, podemos esclarecer os aspectos mais importantes da maior parte dos actos eleitorais, e iluminar com uma outra luz, aquilo que os estados-maiores partidários e os inúmeros comentadores politicamente comprometidos, querem sempre iludir. Chamem-me merceeiro se quiserem. (Ok, já ouvi!)
Vejamos então como eu vi o acto eleitoral de Lisboa:
O CDS teve apenas 7.258 votos. E digo apenas, porque há 2 anos atrás tinha tido 16.723: ou seja teve menos 9.465 votos! Isto é, teve menos do que aqueles que perdeu.
O BE teve 13.348 votos, o que significa que teve menos 8.994 pessoas a votarem no Zé (eu se fosse ao Zé, vendia o boné de fiscal e ia tratar de fazer algo que se visse. Ou então estas quase 9.000 pessoas são as que gostam muito do túnel do Marquês).
O PCP teve menos 13.573 votos, de um total de 32.254 que teve em 2005 (confesso que não estava à espera de um envelhecimento tão rápido por parte dos militantes do PCP, já que perdeu mais de metade dos camaradas pelo caminho).
O PSD que tinha tido 119.837 em 2005, teve agora apenas 30.855 cruzinhas nos boletins de voto! Ok, eu repito de outro modo, que é para terem tempo de esfregar os olhinhos: o PSD perdeu 88.982 eleitores (definitivamente, agora com o Negrão é que a coisa virou mesmo preta)!!
O PS ganhou. Lá isso ganhou. Mas será que também perdeu? O PS teve em 2005 75.022 votos, e agora 57.907. Ou seja, 75.022 lisboetas gostavam de Carrilho, mas do Costa apenas 57.907 o amam verdadeiramente. Isto para o Costa, deve-lhe estar a fazer um mal ao ego do caraças. Isto é, são menos 17.115 lisboetas a votarem no António Costa. Se não gostam (afinal aos vencedores não se chama a atenção para uma coisa destas), queixem-se ao Ministério da Justiça, aqui, que é onde estão os números todos. Juro que não estou a inventar!
Concluindo, no total, há apenas 2 anos atrás, tinham-se dado ao trabalho de votar, 282.443 pessoas. Este ano, apenas lá foram, 196.041 (menos 86.402). Como em 2007 estavam inscritos para votar mais de meio milhão de alfacinhas (524.248), isso significa que a grande maioria teve coisas mais importantes para fazer. Estas actividades mais importantes ocuparam 328.207 (!!!) desta malta. Como estava de chuva, penso que estaria tudo a apanhar alfaces na zona saloia. Pronto, apenas por uma vez, concedo licença aos valores relativos: apenas votaram 37,39%!!!! Querem que repita?
Nota: Em 2005 estavam inscritos 536.450, e agora em 2007, 524.248 (menos 12.202)

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4 dias apenas

Saí na 6ª feira à tarde direito a outras paragens (bem menos poluídas), e agora regresso à espuma dos dias. Nestes curtos 4 dias parece que se passaram tantas coisas, e afinal foi quase tudo coisa nenhuma: o descalabro da nossa selecção de sub-20, que bebendo no exemplo do seu chefe Couceiro (treinador de cartilha em atirar equipas para a 2ª divisão), e seguindo uma longa linha de tradição do futebol luso (apenas interrompida com o consulado do gaúcho Scolari) cimentada em péssimas atitudes competitivas e piores de comportamento, decidiu mais uma vez agravar a má imagem que Portugal já tem junto da comunidade dos árbitros internacionais. Depois veio o descalabro – bem merecido! - do PSD em Lisboa, o coice que o CDS levou (culpa de Portas que escolheu o pior candidato que o CDS lá tinha), e as pequenas vitórias de Roseta, Carmona, do fiscal Zé Fernandes e do homem do PCP igual a si próprio. Quanto a António Costa (o único que de facto venceu), a vitória esperada, embora bem mais curta do que seria expectável, e até do que o próprio, estou em querer, esperaria. Situar-se abaixo dos 30%, com tão maus candidatos opositores, e com tanta asneirada que o executivo anterior fez, não deixa de cheirar a desperdício de oportunidade (embora não se exigisse a maioria absoluta). Mas admito que a culpa não será tanto do próprio – que continua a disfrutar de muito boa imagem e de uma excelente imprensa – mas mais do governo e de José Sócrates, que entraram por culpa própria, e não por algum mérito da oposição, em derrapagem e desgaste algo precoce. Outro governo, e os números de Costa andariam nos 40 que João Soares e Santana Lopes já tiveram há bem pouco tempo. E agora? Bem, agora, seguem-se 2 anos de campanha pré-eleitoral ininterrupta, com golpes baixos por parte de alguma oposição camarária, e com grande marketing governativo promocional por parte de António Costa (seguindo aliás as pisadas de José Sócrates, e trabalhando com empresas comunicacionais com provas já dadas). Haverá lançamentos de muitos "projectos", muito outdoor e power point, pois as verdadeiras eleições a 4 anos, são já ali ao virar da esquina. Lisboa e os lisboetas bem avisaram – com os seus incríveis 62% de abstenção! – mas não creio que qualquer dos grandes e dos pequenos partidos tenha daí tirado alguma lição. E menos ainda António Costa, pois feitas as contas, sempre ganhou. E as vitórias, para mais estivais, com as suas odes à alegria, não são lá conselheiras de grandes reflexões. Os perdedores que reflitam, pois então (mas esses, por outro lado, estão mais ocupados nas suas lutas na lama). Vai pois começar a festa da governação, com corte à medida dos media, travestida de eficácia e produtividade, a venda de lançamentos de "programas" e "projectos" como se fossem já os resultados finais. É afinal a escola do governo, agora repetida localmente. E agora com mais força ainda, não fosse António Costa um político tão mediático. Por isso Lisboa, essa, vai ter de esperar por alguém mais à sua medida, e de não tão grandes projectos e futuro nacionais.

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terça-feira, julho 10, 2007

Os chamamentos do Poder

Ainda ontem aqui dizia, a propósito das ofertas de Manuel Salgado para as listas de Carrilho (antes) e António Costa (agora) «…estas persistências e insistências, estes chamamentos do Poder …». Pois é, parece que estes chamamentos estão como as cerejas: são sempre muitos, e atrás de um seguem-se sempre outros. É que hoje soube-se que afinal, o aparecimento de José Miguel Júdice como mandatário de António Costa foi tudo menos coisa clara. É que Miguel Júdice foi convidado pelo governo, já lá vão 4 meses, para gerir toda a frente ribeirinha de Lisboa, uma enorme fatia da capital e de importância quase incalculável.
Pior que isso, é que tanto António Costa como Miguel Júdice, esconderam este facto de enorme importância, quando estamos em plena mudança nos destinos da CML. Desta vez Helena Roseta está cheia de razão quando diz:
«Afinal de contas, o Governo já tinha decidido, já tinha convidado uma pessoa, já tem um modelo de gestão e nada nos é dito. Não está certo, é falta de transparência»;
«E acho incompatível uma pessoa aceitar um cargo de nomeação governamental para dirigir uma zona importante da cidade e ser mandatário de um dos candidatos à gestão da mesma cidade».
Esta atitude de António Costa (e de José Miguel Júdice, que anda sempre com a Justiça na barriga), não é obviamente para mim qualquer novidade. Aliás, essa atitude enferma dos velhíssimos tiques da classe política lusa, que medra nas cumplicidades interpessoais, funciona com interesses subordinados, e opera com maquinismo clandestino. O Povo é para esta gente apenas equação eleitoral. E isto é como que um aviso a todos os eleitores alfacinhas, de que depois da refrega eleitoral, tudo voltará a ser com dantes, e que para os lisboetas apenas o estilo está a escrutínio. É sem dúvida mais um sinal de que o regime está moribundo, e que caminha a passos largos não para a sua morte – apenas porque já não estamos em tempo disso! – mas para um seu estado estertor, ainda mais vegetativo que o presente.

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