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quinta-feira, setembro 27, 2007

Santana is back!

É sem dúvida a entrevista do ano!

Entretanto, Ricardo Costa continua infelizmente a demonstrar o autismo e umbiguismo típicos dos agentes comunicacionais, sempre que a sua prática é posta em causa. Já não é a primeira vez que Ricardo Costa não percebe de imediato que valores é que estão em causa.

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segunda-feira, junho 25, 2007

Profilaxia democrática

A propósito do já longo caso Rui Rio versus Jornal de Notícias, opino desde já que é de uma razoável estupidez e até de tremenda inutilidade, o autarca do Porto utilizar o site institucional da autarquia para se defender ou atacar o JN. Se Rui Rio o queria fazer – e está inteiramente no seu direito – bastava para tal criar um blog apenas seu. Caramba, não custava nada, é bom e barato, e pelo menos seria tudo muito mais asseado.
Já quanto ao jornalista e director adjunto David Pontes, participar activamente em movimentos de protesto contra Rui Rio, também está igualmente no seu direito fazê-lo.
O que não devia, era utilizar as páginas do JN como instrumento para tal cruzada, o que também salta aos olhos que é aquilo que vem fazendo de há longo tempo a esta parte.
Mais uma vez, um blog pessoal apenas, e tínhamos também o ar bem mais limpinho.
Assim como estão, colocam-se os dois exactamente ao mesmo nível, e que não é lá muito elevado.

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quinta-feira, maio 31, 2007

Comunicação social de rasto

Sobre os números das greves avançados por governos e sindicatos, podemos ter a certeza de um facto: são sempre assutadoramente falsos. É assim desde que há greves. Até ontem. Talvez pelo descrédito em que se colocam os fornecedores desses números, ou porque a greve não tivesse o impacto desejado, ou porque é do seu interesse que o julgamento da greve não se resumisse a uma seca aritmética, a CGTP preferiu desta vez enriquecer a análise da mesma, com uma visão qualitativa por sectores de actividade, e apresentando apenas a título de exemplo, alguns números sectoriais e parciais. É natural que o faça, pois assim torna mais apelativa obviamente a análise, que é exactamente o interesse oposto deste e de qualquer governo. E para além de tudo, está também no seu direito fazê-lo. Até aqui tudo bem, para governo e CGTP. O que foi muito, muito estranho, a raiar a pouca vergonha, foi o tratamento diferenciado que as conferências de imprensa do governo e da CGTP tiveram por parte dos jornalistas (ontem vi apenas o noticiário da SIC). De um lado, tal era o silêncio reverencial, até cheguei a duvidar que estivesse lá algum jornalista. Do outro, ouviam-se os jornalistas a gritarem, aos berros como se estivessem num arraial popular a comprar sapatos aos ciganos, a falarem ao mesmo tempo, e propositadamente a fazerem-no durante as respostas de Carvalho da Silva (e não antes ou no intervalo das mesmas), numa clara e vergonhosa hostilidade para com o homem da CGTP, demonstrando mais uma vez que estavam ali não como jornalistas mas comissários de outros interesses. E assim se fez mais uma página negra na história da comunicação social.

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quarta-feira, abril 11, 2007

O silêncio dos jornalistas

Foi de doer o coração ver o melindre e o cuidado cirúrgico com que Ricardo Costa, director da "SIC Notícias", José Manuel Fernandes, director do "Público", Francisco Sarsfield Cabral, director da "Rádio Renascença", João Garcia, subdirector do semanário "Expresso" e João Marcelino, director do "Diário de Notícias" (particularmente este último), se referiam ao caso do currículo de José Sócrates, ontem no programa da SIC Notícias, “O silêncio de José Sócrates”.
As vezes que naquele programa se repetiu que haveria que aguardar pelas explicações que hoje – supostamente – o Primeiro-Ministro dará na RTP, aquele respeito reverencial, fez-me perguntar se aqueles seriam mesmo jornalistas. Ou então se seriam os mesmos que, em ocasiões anteriores (estou-me a lembrar nomeadamente de Santana Lopes e Rui Gomes da Silva com o então caso Marcelo Rebelo de Sousa-TVI) fizeram um estardalhaço dos grandes, com loas à liberdade de imprensa e avisos à democracia em perigo. Pelos vistos nessa altura o método era disparar primeiro e perguntar depois.
É pois bom saber que estes jornalistas, directores e sub-directores, cresceram e amadureceram, e se fizeram desde então uns homenzinhos.
Mas bem mais preocupante é a compreensão e o enlevo com que é tratada a pressão descarada e malcriada com que os secretários, boys e ministros deste governo vêm fazendo junto dos órgãos de comunicação social, numa tentativa de condicionar as notícias e a opinião pública.
Agora a adjectivação é esta: «é normal que os governos façam estes telefonemas e exerçam estas pressões»; é mais uma «questão de feitio do Primeiro-ministro que gosta de falar directamente com os directores dos jornais e as redacções»; «nós jornalistas é que temos de não aceitar essas pressões», etc. etc. Não me lembro de na altura terem dado esse crédito à TVI quando esta decidiu prescindir dos serviços do professor Marcelo. E para quem também se lembra do caso Morais Sarmento contra a RTP, e do que muitos destes defensores do regime democrático então disseram, é espantoso o que mudou em apenas 2 anos.
Ouve-se e não se acredita!

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quinta-feira, janeiro 05, 2006

O "queixinhas"

Mário Soares queixa-se de falta de isenção da comunicação social, e da SIC em particular. A acusação tem tanto de ridícula como de surrealista. Sem recurso a grandes sistematizações e levantamentos, e portanto também com alguma carga de subjectividade, tem-me no entanto parecido exactamente o oposto. Isto é, Mário Soares é de todos os candidatos, aquele que melhor tem sido tratado pela comunicação social (inclusive pela SIC). E Manuel Alegre aquele que mais prejudicado tem sido. A própria reacção da comunicação social a essas mesmas acusações, é aliás disso o exemplo mais acabado. É espantosa a complacência, a condescendência, por parte da generalidade dos órgãos de comunicação! Inclusive a reacção da própria SIC, que no seu noticiário mais nobre, se limitou a ler um curtíssimo comunicado. Desta vez não houve sequer o habitual recurso ao texto no ecran, com destaque das suas expressões mais importantes, como é costume as televisões fazerem, sempre que alguém formula acusações com metade da gravidade destas. E não é preciso recuar muito no tempo. No curto consulado de Santana Lopes, os episódios RTP/Morais Sarmento e TVI/Rebelo de Sousa, foram interpretados por rádios, televisões e jornais como atentatórios da liberdade de imprensa e outros epítetos do género, e tiveram o tratamento que todos sabemos, com recurso a debates, mini-debates, convidados nos telejornais, colunas de opinião nos jornais, etc. etc. A Mário Soares tudo se desculpa, e não será certamente pela sua idade.

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