O silêncio dos jornalistas

As vezes que naquele programa se repetiu que haveria que aguardar pelas explicações que hoje – supostamente – o Primeiro-Ministro dará na RTP, aquele respeito reverencial, fez-me perguntar se aqueles seriam mesmo jornalistas. Ou então se seriam os mesmos que, em ocasiões anteriores (estou-me a lembrar nomeadamente de Santana Lopes e Rui Gomes da Silva com o então caso Marcelo Rebelo de Sousa-TVI) fizeram um estardalhaço dos grandes, com loas à liberdade de imprensa e avisos à democracia em perigo. Pelos vistos nessa altura o método era disparar primeiro e perguntar depois.
É pois bom saber que estes jornalistas, directores e sub-directores, cresceram e amadureceram, e se fizeram desde então uns homenzinhos.
Mas bem mais preocupante é a compreensão e o enlevo com que é tratada a pressão descarada e malcriada com que os secretários, boys e ministros deste governo vêm fazendo junto dos órgãos de comunicação social, numa tentativa de condicionar as notícias e a opinião pública.
Agora a adjectivação é esta: «é normal que os governos façam estes telefonemas e exerçam estas pressões»; é mais uma «questão de feitio do Primeiro-ministro que gosta de falar directamente com os directores dos jornais e as redacções»; «nós jornalistas é que temos de não aceitar essas pressões», etc. etc. Não me lembro de na altura terem dado esse crédito à TVI quando esta decidiu prescindir dos serviços do professor Marcelo. E para quem também se lembra do caso Morais Sarmento contra a RTP, e do que muitos destes defensores do regime democrático então disseram, é espantoso o que mudou em apenas 2 anos.
Ouve-se e não se acredita!
Etiquetas: Comunicação Social, Política
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