Mais uma final

Mas verdade se diga, a selecção esteve desta vez à altura dos seus pergaminhos. Controlou muito bem a sua ansiedade, jogou com muita segurança, correu, chutou, criou oportunidades de golo. Lutou contra a história habitual de inúmeros fracassos nestas circunstâncias, contra a ausência forçada das principais referências, contra o mau momento de forma que muitos atravessam nos seus respectivos clubes. Só faltou mesmo o golo, que aliás era bem merecido. Não fez um jogo estético, com jogadas bonitas? Não, não fez. Mas o futebol há muitos anos, desde o Brasil de Zico, Sócrates e Cª Lda, que deixou de ser ballet. Quem passa a vida a enaltecer José Mourinho (e bem), que diga as vezes em que as suas equipas jogaram um futebol esteticamente bonito. Foram poucas, não é? Contra 11 finlandeses de 1, 85 para cima, e todos eles alinhadinhos atrás da linha da bola, e colocados à defesa do primeiro ao último minuto, era difícil fazer muito melhor. Isso queriam eles: que Portugal se sentisse pressionado a jogar bonito e a atacar descontroladamente. Será que é o "sargentão" que está de volta? Pela amostra da conferência de imprensa, parece que sim. Há muito tempo que Scolari já percebeu que, para a grande maioria da comunicação social e comentadores desportivos, ele está a mais. Nota-se à légua pelas perguntas colocadas, que toda essa gente que aparentemente tanto queria a qualificação, deixou ontem por abrir as garrafinhas de espumante que já estavam fresquinhas para comemorar o grande fracasso da selecção. Vão ter de esperar, coitados, pelo campeonato da Europa.
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