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quinta-feira, junho 21, 2007

Outro exercício de memória (muito curta)

Dia 17: Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, "desmente formalmente essas notícias e comentários e reafirma que o Governo, como lhe competia, se manteve alheio à diligência do presidente da CIP".

Dia 18: José Sócrates, Primeiro-Ministro, através de comunicado, dizia que são falsas as «notícias que têm vindo a público sobre uma alegada negociação entre o Governo e CIP no respeitante à elaboração do estudo promovido por esta última sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa».

Dia 20: no programa Quadratura do Círculo, António Lobo Xavier, que também é vice-presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), apresentou uma carta, onde o presidente da CIP, Francisco Van Zeller, refere preto no branco: "reuniões de trabalho com as mais altas instâncias políticas das quais obtivemos a concordância para esta iniciativa [estudo]".
Dúvidas ??

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terça-feira, junho 19, 2007

"Portela+1", "+2" ou "+3"

Confesso que desta vez fui apanhado desprevenido, com o anúncio do Ministro das Obras Públicas, de que o governo também aceita receber um estudo que equacione a hipótese "Portela + 1". Mas não volta a acontecer: agora já estou preparado para ouvir na semana que vem, Mário Lino anunciar que aceitará mais um novo estudo (o 3º), desta vez que equacione um 2º aeroporto dentro da própria cidade de Lisboa, provavelmente no alto do edifício do Centro Comercial Colombo.

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segunda-feira, junho 18, 2007

Uma sociedade pouco civil

A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), decidiu fazer um estudo para uma localização alternativa ao aeroporto da OTA. Para isso contactou algumas associações empresariais (a Associação Comercial do Porto, entre outras), e concebeu um meio institucional para montar a coisa (o chamado Agrupamento Complementar de Empresas: ACE), que seria a entidade supra associativa que no final apresentaria os estudos ao Governo). Só que entretanto, Francisco Van Zeller, como grande presidente da CIP – que também é grande - que é, decidiu pedir autorização ao Chefe. O Chefe, longe de impor seja o que for, deu apenas a sugestão de ser a CIP a avançar sozinha com o dito estudo, e de não meter mais nenhuma associação ao barulho.
E perante tão simples e singela sugestão do Chefe, a CIP obviamente disse que sim.
Depois (de apresentado o estudo), e perante a necessidade de revelar que empresários financiaram o mesmo, ficamos todos a saber apenas o nome de 4 deles, já que todos os restantes (e que ainda serão bastantes) têm receio de revelar o seu nome, com medo de sofrerem represálias do governo, nos seus contratos e negócios com o Estado.
Isto, meus amigos, é a nossa sociedade civil. E este, o primeiro-ministro e governo que temos, que foi mesmo para isso - espevitar a sociedade civil - que o elegemos. O condicionamento industrial do tempo de Salazar não faria melhor. Melhor retrato do que isto é difícil.

P.S. Entretanto, Rui Moreira, presidente de uma das tais associações empresariais afastadas (a Associação Comercial do Porto: ACP), esclareceu que se a sua associação se mantivesse como uma das promotoras do estudo, a opção "Portela + 1" teria sido devidamente avaliada. Diga-se o que se disser, factos são factos, e o que é certo é que o estudo de uma opção "Portela + 1", constava do estudo preliminar apresentado pela CIP à ACP, e acabou também por ficar pelo caminho. Coincidências, certamente. Do que não há dúvida é que, não fosse estarmos a tratar com gente tão importante, e de tanta responsabilidade política, e tudo isto já seria caso de levar esta malta toda para a esquadra da polícia. E por falar em polícia, com tanto esquema e negociatas, o que andará Cavaco a pensar? O mesmo que Sampaio pensou das trapalhadas de Santana?

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segunda-feira, junho 11, 2007

Recuo da OTA??

Mário Lino acaba de anunciar que sempre se vai proceder ao estudo de uma localização alternativa à OTA: neste caso, Alcochete.
O PSD (Marques Mendes) e Fernando Negrão, saúdam o recuo do governo. Saudações de crocodilo, está-se a ver.
Já eu, passe embora a propalada pressão de Cavaco Silva junto do governo, mantenho mesmo assim as minhas dúvidas sobre a boa fé de Mário Lino em todo este processo. E também sobre a proverbial teimosia de Sócrates. É que por ora, o único que vejo a ganhar com este anúncio é António Costa. O governo acaba de fazer com este anúncio mais por António Costa, do que tudo o que este possa eventualmente fazer por si próprio, daqui para a frente. Vamos pois a ver até que ponto este recuo do governo não é apenas estratégia pura ao jeito chinês: um passo atrás agora, 2 passos à frente depois.
É uma inversão de marcha? Ou será apenas uma rotunda?

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quinta-feira, junho 07, 2007

Patos-bravos ou flamingos

Vasco Graça Moura sobre a Ota. A não perder.
Flamingos na margem sul e revoadas de patos-bravos da construção civil na margem norte. Se é este o modelo de desenvolvimento (deveras ornitológico) que o Governo quer para Portugal, então pode limpar as mãos à parede....mais aqui.

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terça-feira, junho 05, 2007

OTA cada vez mais in?

O antigo ministro António Costa diz que o Aeroporto da OTA não é assunto que diga respeito a Lisboa. Mas pelos vistos diz respeito a Leiria e desertos adjacentes que, diz a Gazeta das Caldas, até já constituíram uma associação de defesa do aeroporto da Ota. Já não há dúvidas portanto, que o novo aeroporto é agora uma espécie protegida. Nem o lince da Malcata teve tanta sorte! E o (ainda) ministro Mário Lino concorda e, vá-se lá saber porquê, fica feliz e acha bem. Agora, uma coisa é certa: que já vi o aeroporto da Ota bem mais internacional, lá isso vi!

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sexta-feira, junho 01, 2007

22 factos sobre a OTA

Como não parto displicentemente que o assunto da OTA é apenas para técnicos - leia-se, engenheiros e reconhecidos pela Ordem - tenho desde há alguns anos a esta parte, vindo a ler tudo aquilo que possa a respeito do aeroporto da OTA. De tal modo que, desde o tempo do governo Guterres, formei a minha opinião contra mais essa "pirâmide" das obras públicas, opinião essa que venho reforçando, quanto mais sei sobre o mesmo, e quanto mais vejo a superficialidade com que os decisores vêem tratando esse projecto, confundindo teimosia e estupidez com capacidade de decisão.
Tenho por isso constatado o chorrilho de disparates, resultado da ausência de qualquer leitura ou tentativa de compreender aquilo que está em causa, que inclusivé uma parte da blogosfera vem produzindo sobre o assunto. Ele é os 15 estudos, ele é os outros locais chumbados, ele é a aprovação da OTA, ele é o impacto ambiental de determinado local, ele é que o PSD também apoiou a OTA (o que é que isso tem a ver com a solução em si?), ele é isto e mais aquilo.
Como não lêem nada – talvez porque achem que o assunto é demasiado engenheirado, ou porque a coisa de facto não é propriamente um romance de leitura mais agradável - vai daí debitam consoante a sua cor, os seus humores, ou o lado para que estão inclinados.
Vem isto a propósito do livro recentemente lançado, pelos opositores da OTA (interesse desde logo assumido, o que é bom), que vem lançar alguma luz sobre a discussão, e desfazer com base em alguns factos, algumas das ideias pré concebidas que por aí vão circulando, inclusive entre os próprios opositores da OTA. Serve pelo menos para lançar o contraditório, num assunto que se quer dar por encerrado a toda a força. Quem quiser chame também nomes feios a esta abordagem, feche os olhos, mas pelo menos leia, que é para mais tarde não se desculpar que pensava que o assunto era demasiado técnico.
Transcrevo do Portugal Diário:
Depois do livro «O erro da Ota», e usando-o como ferramenta de trabalho, o responsável editorial do trabalho, Mendo Castro Henriques, juntamente com alguns co-autores do livro, elaborou um documento com um conjunto de factos «indesmentíveis».
O relatório já foi entregue aos deputados da Assembleia da República para servir de base para o debate com o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que irá ao Parlamento falar sobre a Ota no próximo dia 6 de Junho.
Esta sexta-feira, Mendo Castro Henriques, professor na Universidade Católica, vai estar no PortugalDiário, por volta das 16:30, para responder às perguntas que os leitores quiserem colocar sobre a Ota.
Conheça os 22 factos:
1 - Não existe nenhum estudo que indique a Ota como o melhor local para o novo aeroporto.
2 - Em todos os estudos onde a opção Ota foi analisada, foi sempre considerada a mais cara.
3 - A decisão pela localização Ota foi tomada, em 1999, com base num Estudo Preliminar de Impacto Ambiental (EPIA) incompleto e insuficiente.
4 e 5 - Entre os vários descritores usados no EPIA, a Comissão de Acompanhamento do Novo Aeroporto considerou «deficiente» a abordagem feita aos «Recursos Hídricos» e aos «Risco de Colisão de Aeronaves com Aves». Dois pontos usados para eliminar Rio Frio.
6 - O site da NAER não disponibilizou a totalidade dos estudos em Novembro de 2005. Foram omitidos estudos importantes, como o realizado pela ANA em 1994 e que escolhia o Montijo, e cortaram-se partes de outros documentos.
7 - O estudo de 1999, que apenas compara Ota e Rio Frio, não justifica a exclusão da localização Montijo, que até então tinha «ganho» em todos os relatórios.
8 - Os capítulos das conclusões do EPIA da Ota e do Rio Frio são cópias um do outro.
9 - Alguns factos foram deturpados de modo a legitimar a escolha da Ota.
10 - A decisão foi tomada sem que tenham sido avaliadas todas as determinantes: não foi instalado um posto meteorológico na Ota; não foi estudada a implicação da gestão do espaço aéreo; não foram estudados os acessos nem as características dos solos.
11 - A solução «Portela + 1» foi abandonada por causa da escolha da Ota. Todas as restantes localizações são compatíveis com a utilização simultânea da Portela.
12 - A Ota terá uma vida útil muito inferior ao Aeroporto da Portela, que já passou os 60 anos de vida. A Ota pode «viver» 30/40 anos.
13 - O novo aeroporto será pago pelo Estado e pelos contribuintes.
14 - Lisboa ficará menos competitiva. Por exemplo, as taxas de aeroporto serão mais elevadas na Ota.
15 - A TAP será menos competitiva. O processo do aeroporto de Atenas, inaugurado em 2001, é semelhante ao da Ota. A companhia aérea grega declarou falência em 2003.
16 - A privatização da ANA como parte do negócio da Ota, significa dar a uma entidade privada a gestão de quase todos os aeroportos portugueses.
17 - Há factos que obrigam a reequacionar a opção Ota. Cresceram as Low cost. O traçado do TGV foi alterado e passar na Ota obriga a «ginástica».
18 - Não foram criados mecanismos para tributar mais valias nos terrenos da Ota.
19 - O turismo perde. Estudos efectuados mostram uma quebra de 15,6 por cento no turismo de Lisboa.
20 - Por causa da Ota a linha do TGV Lisboa/Porto será apenas para passageiros e não para mercadoria.
21 - O TGV tira passageiros aos aviões.
22 - A área de influência de dois aeroporto - Norte e Sul - é superior à influência de um aeroporto central.
Quem quiser ter acesso ao documento completo dos «22 factos» clique aqui.

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sábado, maio 26, 2007

Para o Mário Lino e o Almeida Santos:

Não consigo! Definitivamente, não consigo! Já tentei escrever, escrevinhar, comentar, eu sei lá, a propósito das declarações de Mário Lino e de Almeida Santos sobre o aeroporto da OTA, mas não sai nada. A revolta que sinto por estar a ser tratado como burro por estas iluminárias, é tal, e o espanto ainda maior, que não consigo o distanciamento para o que quer que seja. Nem para o sarcasmo consegui ainda fugir. Como não há palavras (nem 1000), deixo as imagens que me acodem:

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quinta-feira, maio 03, 2007

Livro: O Erro da OTA

Edição pela Tribuna, com saída marcada para a primeira quinzena de Maio, «O Erro da Ota e o Futuro de Portugal: a Posição da Sociedade Civil», de autoria múltipla:
Prof. Eng.º António Brotas, Prof. António Barreto, Escultor Cerveira Pinto, Prof. Eng.º António Diogo Pinto, Prof. Doutor Galopim de Carvalho, Arq.º Carlos Sant'ana, Eng.º Frederico Brotas de Carvalho, Arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, dr. José Carlos Morais, Major General PilAv, José Krus Abecasis, General José Loureiro dos Santos, Judite França, Arq.º Luís Gonçalves, Prof. Mendo Castro Henriques, Dr. Miguel Frasquilho, Patrícia Pires, Dr. Pedro Quartin Graça, Engº Reis Borges, Dr. Rui Moreira, Rui Rodrigues, Eng.ª Teresa Maria Gamito e Dr. Vítor Bento.
Mais informações aqui.

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terça-feira, março 27, 2007

O próximo pântano

Depois do Prós e Contras de ontem, na RTP, tenho cada vez menos dúvidas sobre esta questão do novo aeroporto.
A dimensão dos custos a ele associados (que continua a aumentar todas as semanas), as zonas nebulosas ou cinzentas do projecto, a obra naquele local específico, a duração do empreendimento, a nossa história com os grandes empreendimentos públicos no que à sua orçamentação e calendarização diz respeito, etc., levam-me a esperar o pior.
Ao pé daquilo, o CCB, a nova travessia do tejo, a Expo, os estádios do Euro 2004, etc., serão uma brincadeira de crianças. E por essas ainda estamos a pagar hoje. A Expo foi altamente deficitária e a malha urbana original, a última boa justificação do projecto, deteriora-se todos os dias; a concessão original para a nova ponte do Tejo já foi chão que deu uva; dos 10 estádios do euro, apenas 3 são rentáveis; e o CCB nem capacidade orçamental tem para organizar um evento como a Festa da Música, estando quase subalugado a uma qualquer Fundação de um qualquer Berardo; 1/3 do seu espaço seria mais que suficiente para o dinheiro que o Estado agora lhe quer disponibilizar para as suas realizações. Mas não, até já pensam em construir os outros módulos(gosto deste termo, pois parece tão fácil como uma peça do Lego).
Já para não falar de uma célebre estação de Metro, lá para os lados da Praça do Comércio, onde já se enterraram milhões de euros, ou do Túnel do Rossio que já vai também por aí adiante, quer em prazos quer em custos.
Sobre o Túnel do Marquês… shiu, que esse nem ainda abriu!
Pelos vistos engenharia há, não há é dinheiro para tanto engenheiro!
Desculpem, mas penso que estes projectos são em número mais que suficiente para que nenhum português se iluda com o que aí vem com o novo aeroporto.
Dizer-se, como diz o Ministro das Obras Públicas, que o Aeroporto da OTA não vai custar nada ao erário público pois sairá tudo do bolso dos privados, e outra parte da Comunidade Europeia, é tratar-nos a todos como crianças (ou burros), e fazer de conta que não temos andado por cá nos últimos 20 ou 30 anos, a assistir ao pagode a governar-se!
O Ministro Lino é um ilusionista, mas daqueles da Feira Popular. Ou então acredita piamente em jantares de borla, o que não parecendo, é problema ainda mais grave que o da OTA!
A engenharia portuguesa tem-se em muito boa conta (e por ventura com razões de sobra para isso), mas é bom lembrar, que não é a engenharia que paga a obra.
O que, compreensivelmente, os nossos engenheiros querem é um grande desafio, e a construção de um aeroporto para o Séc. XXI não é uma obra que apareça todos os dias. É por isso natural que lá na corporação todos pugnem pelo mesmo.
De qualquer dos modos teria sido muito interessante que cada um dos intervenientes de ontem, os prós e os contras, se tivesse apresentado não apenas enquanto engenheiros ou redactores daquele relatório ou participantes naquela comissão, mas sim enquanto sócios de empresas de consultoria, construção ou engenharia, com maior ou menor interesse no novo aeroporto.
Era tudo mais transparente e sempre respirávamos melhor.
Oxalá o instinto de sobrevivência do ex-Engº Sócrates seja mais forte que a sua teimosia e o faça retroceder enquanto é tempo.
Ou então que arranje para aí uma dose de bom senso, mesmo que ele seja pelos vistos tão raro como o dinheiro necessário para o aeroporto, e que assuma que isto tem é de ser encarado como uma decisão política e não técnica.
O Sr. ex-Engº Sócrates já não pode usar essa escapatória da tecnicidade pois nisso, convenhamos, o Presidente da República já chegou primeiro.
Até porque, pela amostra, são mais os engenheiros que querem outras localizações que os que defendem a da OTA.
E também me parece que não serão as mais de 230.000 estacas que poderão salvar este governo de se afogar naquele pântano, caso teime nesta via.
Ensina a História que a História não se repete, mas que ela por vezes é de um humor negro a toda a prova, lá isso é.
Depois de termos tido um governo a afundar-se num pântano - em sentido figurado - só nos faltava agora outro governo que literalmente se afundasse num pântano dos verdadeiros.
Já seria falta de gosto, e a oposição nem sequer o merece!

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